Dia das Mães

Essa é uma data festejada com muito carinho na Ucrânia, com homenagens, flores, versos. Comemore e abrace quem você ama

 

 

Esta magnífica festividade familiar renasceu na Ucrânia após a Independência, em 1991. Hoje é uma tradição cumprimentar a Mulher-Mãe, desejando a ela saúde e felicidade.

Existem maravilhosos aforismos dedicados à Mulher-Mãe: “com sol é bom, porém estar perto da Mãe é melhor”; ou: “a Mãe deixa de comer porém não deixa de alimentar o filho”; ou ainda: “a Mãe é para o filho assim como a água é para o peixe”; e mais: “a Mãe e o filho são uma pessoa só”. Assim, todos nós começamos do coração da Mãe e o seu amor.

Desde muito tempo era costume, na Ucrânia, cumprimentar a Mãe.

Na Ucrânia, durante a primavera (de março a maio, no hemisfério norte), a Mãe Natureza iniciava o desabrochar das flores depois de ficarem um longo inverno adormecidas; era a época em que os filhos iam saudar a Mãe com flores.

Batendo na porta diziam: “permitam-nos entrar e abraçar e beijar nossa querida Mãe”. A Mãe os recepcionava com as mais deliciosas iguarias. Benzia os filhos com água benta dizendo: “a água sagrada nos pés é para ter sorte; nas mãos é para felicidade; na soleira para que toda geração viva vem com prosperidade”.

 

É da artista plástica ucraniana Oksana Mas (https://www.instagram.com/oksanamas_official/?hl=en) o painel “Look into eternity”, mosaico feito com pêssankas, de 2011, instalado no museu da Catedral de Santa Sofia, em Kyiv.

 

Embaixo da cerejeira ou da pereira que a Mãe havia plantado, neste dia enterravam um pedacinho de pão e algumas moedas. Faziam isto para que todos vivessem bem e em paz. Todas as honras, neste dia, se voltavam para as Mães.

Para demonstrar respeito e estima, o marido presenteava a esposa-Mãe com uma colher de madeira e flores de pulsatilla, símbolos de energia e paz (planta herbácea, de flores púrpura, e que, segundo antigas lendas, nascem em terrenos empapados de sangue de guerreiros que tombaram durante as lutas; também é conhecida como flor-do-vento, anêmona e flor-de-Páscoa). A maior demonstração de amor é colher, bem cedinho, as pétalas da flor de cerejeira, ainda com orvalho, e espalhar sobre a esposa-Mãe.

Aqueles que já não tinham mais a Mãe, acendiam uma vela em frente ao ícone de Nossa Senhora. Visitavam o túmulo, levando água, grãos de cereais e dois raminhos de cerejeira e de pereira. Inclinavam-se do lado esquerdo “do coração”, acendiam uma vela e rezavam.

Enquanto arde o fogo da bondade e do amor, nada separa os filhos da Mãe.

Tradução de Ludmila Szymanskyj

Original do livro Círculo Solar

Сонячне Коло

Editora Byc, 1997, Kyiv, Ucrânia

 

Vale registrar que aqui no Brasil a comunidade ucraniana manteve a tradição de comemorar o Dia das Mães. Tanto isso é verdade que Ludmila Szymanskyj recuperou um discurso de esposo, Oleg Szymanskyj, feito para a abertura de uma dessas comemorações na Sociedade Ucraniano-Brasileira Unificação, a sede da comunidade ucraniana de São Paulo.

Confira.

 

 

A festividade de hoje, que se comemora no mundo inteiro no segundo domingo do mês de maio, é uma tradição relativamente nova. Iniciou-se nos Estados Unidos em 1910, chegando à Europa após a I Grande Guerra.

Para os ucranianos, esse evento é bem mais recente. As comemorações foram iniciadas em 1928 pela União das Mulheres Ucranianas do Canadá e, a partir de 1929, pela mesma organização, esta da cidade de Lviv, na Ucrânia Ocidental, que na época fazia parte da Polônia. Na República Socialista Soviética da Ucrânia, o Dia das Mães foi substituído pelo Dia Internacional da Mulher. Somente a partir de 1991, data da Independência da Ucrânia, instituiu-se a comemoração.

Em que o Dia das Mães difere ao Dia do Astronauta ou do Dia da Costureira? Em primeiro lugar, porque a “profissão” de mãe é muito mais nobre e importante do que as outras profissões. Em segundo lugar, porque mãe é algo que todo mundo possui uma só. Rica ou pobre, branca, preta ou amarela, é aquela que nos pôs no mundo, nos alimentou e nos ajudou a dar os primeiros passos. Em terceiro lugar, é aquela pessoa na qual aprendemos a confiar cegamente porque sabemos com certeza que é a única pessoa que nunca nos trairá.

Hoje, aqui prestamos uma homenagem a todas as mães presentes, bem como aquelas que já nos deixaram para sempre, que Deus as mantenha em bom lugar.

Ainda quero lembrar a Mãe Ucraniana, que tanto sofreu nas mãos dos ocupantes durante séculos, tentando proteger seus filhos das desgraças, da fome e do frio, e com isso preservou a continuidade da Nação Ucraniana. Sem a atitude heróica da Mãe Ucraniana, seriamos extintos.

Oleg Szymanskyj

 

Veja, nos links, alguns poemas que escolhemos que homenageiam as mães:

 

 

 

2 comentários em “Dia das Mães

  • 02/06/2017 em 15:37
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    Parabéns pela iniciativa. Vou ler assim que estiver em casa.
    Desejo muito sucesso.

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    • 06/06/2017 em 10:00
      Permalink

      Agradeço pelo comentário. E leia, leia sim! Comente. Sempre às quintas-feiras publico post novo. Mais uma vez, obrigada pelos votos de sucesso. Esse sucesso só existirá na medida em que mais pessoas leiam, se interessem por suas origens, se interessem por suas histórias, pela cultura. Que algo possa ficar na alma das pessoas.

      Resposta

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